• O sucesso é o resultado da convicção e do trabalho

  • Publicado em Sáb, 30 de Jul de 2011
  •  Segundo a jornalista Maria Laura Neves da revista Época, uma brasileira foi considerada a “rainha das camisas”em Paris. Otítulo foi dado pelo jornal Le Figaro. Anne Fontaine é uma carioca de 37 anos que hoje é dona de uma rede de lojas que faturou 170 milhões no ano passado, tem mais de 70 lojas na Europa, Estados Unidos, China e Japão, e a previsão para 2007 é aumentar ainda em 20% as vendas. No Brasil, as suas camisas são vendidas apenas na boutique Avec Nuance, no Rio de Janeiro.

    Anne tem uma história de vida interessante, até improvável para o mundo da moda. Ela viajou aos 17 anos para conhecer a vida dos índios da Amazônia – na época, sua grande preocupação era o meio ambiente. Ficou na Amazônia um ano e meio e, na volta, descobriu que a mulher a quem chamava de mãe era, na verdade, sua avó, e quem acreditava ser sua irmã mais velha era sua mãe verdadeira, que tinha tido um caso aos 17 anos com um francês, sendo Anne o fruto dessa relação. Ao descobrir a história, Anne decidiu conhecer o país e a cultura do pai, falecido pouco depois do nascimento dela. Estudou biologia em Paris e engajou-se na defesa dos animais. Começou a trabalhar num barco de proteção às baleias e aos golfinhos do Mar Mediterrâneo e, então, tudo mudou.

    Em 1993, aos 23 anos, ela conheceu o francês Ari Slotkin, dono de uma fábrica de camisas para garçonetes, que estavaem declínio. Paraajudar o namorado, sua estratégia foi elevar o padrão das roupas. Ela criou um modelo de camisa branca, com colarinho duplo, flores em alto-relevo e laços. Apostou que a camisa feminina poderia deixar de ser uniforme de reuniões para se tornar item de luxo. Deu certo, pois hoje suas peças chegam a ser vendidas por até 290 euros.

    A empresa hoje se chama Anne Fontaine. Suas primeiras peças foram vendidas para uma loja de departamentos, e um lote de camisas logo sumiu das prateleiras. “Muitos lojistas nos procuraram, mas queríamos ter nossa própria loja”, diz.

    O casal pediu empréstimo a vários bancos para começar o negócio, mas sem sucesso (apenas um pequeno banco francês financiou parte dele). Eles, então, recorreram a parentes e amigos e, em 1994, inauguraram sua primeira loja. Anne inaugurou sua loja no bairro de Saint Germain- després, na Rive Gauche. Segundo a consultora de moda Regina Martelli, os franceses valorizam o básico, como camisas brancas e vestidos pretos.

    Anne inaugurou no ano seguinte a primeira loja de Tóquio, e um ano depois ela entrou no mercado americano. Ela não tem sócios e nem franqueados. Fez poucas parcerias as quais não deram certo.

    Ela visita todas as lojas da grife pelo menos duas vezes ao ano. A sua sede fica em Honfleur, uma pequena cidade turística no norte da França. Seu ateliê fica no campo, onde ela ainda desenha as roupas da grife. No começo do ano, Anne abriu uma loja-conceito e um Spa, na rua Saint Honoré, em Paris, ao lado de grifes badaladas como Valentino e Chloé. Anne diz que seu lado ambientalista não morreu, oferecendo nesse espaço tratamento e banhos com cosméticos a base de plantas.

     

    Números da grife

    -          70 lojas em 3 continentes

    -          450 funcionários em todas as filiais

    -          US$ 170 milhões de faturamento

    -          290 euros o preço da camisa

     

    Fonte: Revista Época – 6 de agosto de 2007 – p.62

    Escrito por: Liliany Bonfim

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