O mapa do mercado de luxo no Brasil
- Publicado em Sáb, 11 de Jun de 2011
-
Butique Chanel no Rio: primeiro espaço do tipo para produtos exclusivos de beleza e perfumes, mas não o último.

Com um gasto médio de quase R$ 3,5 mil por compra, o consumidor brasileiro do mercado de luxo deve impulsionar em até 50% as vendas de dezenas de marcas – consolidando 2010 como o melhor ano para o luxo no país.
em 2009, mesmo sob o efeito da crise financeira mundial, o universo do luxo faturou em torno de US$ 6,45 bilhões no Brasil, 8% a mais do que os US$ 5,99 bilhões registrados em 2008, segundo o último estudo da empresa de pesquisas GfK Brasil em parceria com MCF Consultoria, especializada na área. Em 2009, o Brasil assistiu à chegada das grifes Hermès, Missoni, Christian Louboutin, Bentley, Lamborghini e Bugatti, que investiram juntas US$ 830 milhões. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no mesmo ano, as vendas de veículos importados passaram de 370.937 para 485.428 carros, um avanço de 30,9%.Em 2009, mesmo com a crise financeira mundial, o mercado de luxo faturou US$ 6,45 bilhões no Brasil, 8% a mais do que em 2008
O valor dos importados de luxo, sejam carros, relógios, joias ou sapatos, sofre tributação superior a 100%. Mas isso parece não ter sido empecilho para as empresas. A Jaguar, por exemplo, que detém além da própria marca, a Land Rover, espera um crescimento de 73% este ano, o equivalente à venda de 6 mil unidades. Além disso, o crescimento econômico também favorece as marcas de luxo.
Luxo emergente
“O Brasil está em evidência”, afirma Veronique Claverie, diretora de Marketing e Operações da Cartier do Brasil. Segundo ela, o mercado internacional vive um momento em que há interesse em iniciar ou expandir atividades no país.
Show Room da Lamborghini, em São Paulo: seis carros de R$ 1,5 milhão vendidos em poucas semanas
As marcas de luxo internacionais preferidas dos brasileiros
Fonte:GfK e MCF Consultoria (pesquisa de 2008/2009)

Sandra Bullock na entrega do Globo de Ouro: desfilando o esmalte Particulière, da Chanel
Mais interessada no público feminino, a Chanel também se instalou no país, mas precisamente no Rio de Janeiro, com a primeira butique exclusiva de cosméticos da marca na América Latina. Inaugurada no início de março/2010, a loja conta com um espaço olfativo que destaca todas as nuances do perfume, como uma determinada flor ou fruta que entram na composição da fragrância. O retorno até agora é para deixar qualquer investidor sorrindo: já há fila de espera para produtos como o esmalte Particulière, lançado em janeiro e amplamente “desfilado” por celebridades como as atrizes Sandra Bullock, ganhadora do Oscar, e Demi Moore, além da cantora inglesa Lily Allen.

Sarah Jessica Parker em "Sex and The City 2": Louboutin dourado causou frenesi nos blogs e virou "must have"
A Chanel não é a única a ter filas de espera de mulheres em busca de seus produtos. O tempo para usar um par de sapatos de salto alto vermelho da coleção Simple Pump, de Christian Louboutin, vendido na única loja da empresa no Brasil, em São Paulo, pode chegar a quatro meses. Já para desfilar pelas ruas no volante de alguns utilitários da Land Rover, são necessários três meses de espera.
A vez da moda
Apesar da disputa entre carros, jóias e cosméticos, no mercado de luxo brasileiro a liderança absoluta é do mundo da moda. Das empresas voltadas ao mercado AAA (segmento exclusivo formado pelos brasileiros mais ricos do país), 27% atuam em moda, seguidas por calçados (17%) e automóveis (10%). Em termos geográficos, São Paulo e Rio de Janeiro ainda são o grande pólo. Entre os consumidores dispostos a gastar milhares de reais em uma só compra, 51% vivem em São Paulo e 15% moram no Rio de Janeiro.
Loja Hermès em São Paulo: marca com 170 anos de tradição que fez questão de abrir suas portas no Brasil com todos os departamentos, inclusive equitação
Essa realidade não dá sinais de mudanças. Em 2009, 72% das novas lojas de moda foram abertas em São Paulo, 41% no Rio de Janeiro e 31% em Brasília. “A curto prazo é difícil que o consumo de luxo fuja do eixo Rio-São Paulo, pois ele exige uma infraestrutura sofisticada que não se constroi rapidamente”, afirma Ismael Rocha, professor da ESPM especializado no mercado de luxo.
As marcas de luxo nacionais preferidas dos brasileiros
Fonte:GfK e MCF Consultoria (pesquisa de 2008/2009)
Especialistas em fascinar o consumidor de todas as partes do mundo, as grifes de luxo realizam eventos exclusivos para seus clientes. A Cartier registra as datas importantes, como o aniversário, e faz do seu atendimento uma experiência tão pessoal que todo cliente se sente único. Já a Audi aproveitou o Dia da Mulher, comemorado em março, para convidar suas fiéis clientes para um test drive de seus carros no Autódromo de Interlagos.
A atenção à exclusividade é vital para o comércio AAA. E não é à toa. “O consumo de luxo não deve ser entendido apenas como uma compra. Ele representa uma senha para entrar em um novo universo. Ele dá status”, diz Rocha, da ESPM.
Fachada do projeto da nova loja da Louis Vuitton em Brasília: inauguração na última semana de março/2010 marca planos de expansão da marca no Brasil
Embora o Brasil já tenha conseguido espaço para entrar nesse clube, ainda não está no mesmo patamar de Europa e Estados Unidos. A porta de entrada para o mundo das grifes no país são os acessórios, principalmente em bolsas e óculos. “A maioria dos brasileiros pode não comprar uma bolsa de R$ 15 mil, mas vai levar um chaveiro de R$ 1,2 mil”, afirma Rocha.
Para ser bem-sucedido, porém, é preciso conhecer bem as aspirações do consumidor e entender que ele não vai comprar qualquer coisa. “O brasileiro é globalizado, é antenado e tem essa característica de ver e ser visto”, diz Renis Gabriel Filho, presidente do grupo Safilo no Brasil, que representa 29 marcas de armações e óculos de sol, entre elas Dior, Balenciaga, Emporio Armani e Marc Jacobs.Quem é o brasileiro AAA
Se até pouco tempo os homens tinham mais peso somente nas compras de veículos de luxo, propriedades, bebidas e itens de uso pessoal como relógios, agora consomem abertamente mais moda, acessórios, joalheria e produtos de beleza. No entanto, as mulheres continuam líderes em compras nas grifes de luxo. Elas representam 63% dos consumidores AAA, contra 37% dos homens. “As mulheres brasileiras estão entre as mais vaidosas do mundo. E mesmo quando não são a fonte da renda, são elas que tomam as decisões de compra”, afirma Ismail Rocha, da ESPM.
Em relação à faixa etária, a maioria dos brasileiros fãs das marcas mais glamurosas do mundo (40%) tem entre 26 e 35 anos. Na seqüência, com uma fatia de 24%, vem o grupo formado por pessoas de 36 a 45 anos. Segundo Rocha, parte do crescimento do mercado AAA tem ocorrido por conta de uma mudança social. Com os jovens executivos saindo mais tarde da casa dos pais e se casando e tendo filhos só depois dos 30 anos, eles hoje têm condições de gastar mais. Isso beneficia as lojas mais caras. Trata-se de uma faixa da população ainda na casa dos 20 anos que chega a ganhar entre R$ 15 mil e R$ 20 mil ao mês.63% dos consumidores AAA são mulheres no Brasil
Pelo estudo da empresa de pesquisa GfK, a qualidade ainda é o item que mais define a compra para 46% dos consumidores AAA. Na sequência vem a exclusividade, citada por 18%, e com peso maior do que o glamour e a tradição (14%) ou mesmo o atendimento personalizado (13%). “Nossa consumidora gosta de lançar moda”, diz Cristina Nogueira, gerente de Comunicação da Neutrolab, que representa perfumes e produtos de beleza das marcas Prada, Clarins, Guerlain e DKNY, entre outras. Toninho Abdalla, um dos sócios da British Cars do Brasil, empresa que acaba de abrir um showroom das marcas Bentley e Bugatti, concorda. “Nosso cliente busca exclusividade, ele escolhe a marca pela força”, afirma. A empresa tem planos de vender em torno de 30 automóveis Bentley no Brasil, possantes que custam entre R$ 890 mil e R$ 1,35 milhão.
Ao lado da qualidade, da exclusividade e da tradição, o impulso é outra razão que leva o brasileiro a pagar até milhões por um produto de luxo. Este foi o fator principal que motivou a Aston Martin a adotar no Brasil um modelo de venda totalmente diferente do que tem em outros países do mundo. Enquanto lá fora é necessário encomendar o carro, que custa até R$ 1,5 milhão, aqui modelo é de pronta-entrega, o famoso pagou, levou. “Com essa mudança conseguimos atender as compras impulsivas”, afirma William Norman, gerente de operações da empresa para as Américas. “Uma das características do consumidor no Brasil é a compra emocional“, afirma Veronique Claverie, da Cartier do Brasil. Bom para as marcas do setor, todas ávidas por conquistar mais corações e bolsos.
Todos os campos são requeridos.
- COMENTÁRIOS
- Ir ao topo
- Escrever comentário

Seja o primeiro a postar sua opinião.